Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

Bom Natal

Estou de mini férias.

Um Bom Natal.

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publicado por viajantenocanal às 23:19
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Domingo, 17 de Dezembro de 2006

...

Boas Noites,
Pode parecer um pouco enfadonha a citação que tenho vindo a fazer, mas acho

tão interessante a narração do seu autor, principalmente para quem se

interessa pela história do Pico, que vale a pena o tempo dispendido.E a

narrativa da "ascensão", bem demorada,  é tão penetrante que não deixará 

de recrutar futuros trepadores e fazer recordar os belos momentos vividos

por quem, como eu, já tiveram o privilégio de a já ter efectuado.

" Nada mais tentador do que uma ascensão ao Pico;e por isso se procura

diminuir, tanto quanto possível, as dificuldades dessa linda excursão , que

é já hoje muito frequente pelos naturais. Ainda há bem pouco uma velhinha

de 80 anos num acto de piedosa devoção ali subiu.
Mas não era assim há 30 anos. Já fiz essa excursão de que conservo

inolvidáveis impressões. Foi em Julho de 1907; eu tinha então 27 anos de

idade. Habituado desde rapaz a exercícios desportivos, não me assustava,

antes me atraía, a difícil ascensão ao monte mais alto de Portugal, embora

o bom conselho de pessoas sensatas e prudentes pretendessem dissuadir-me.

Era então incómoda e perigosa aquela ascensão e contava-se as pessoas que a

ela se tinham arriscado, entre os quais alguns sábios de fama mundial

levados pelo interesse científico. Apontava-se os nomes de Herriot, Dabney,

Buller e Morelet. Confesso que não era o interesse científico que me

inspirava:-era o interesse desportivo, estético, panorâmico.
Encontrei alguns amigos que tinham o mesmo interesse: o Augusto Osório,

brioso rapaz, então Governador Civil da Horta, rico e viajado, tendo casas

suas em Pau e Interlaken, onde passava temporadas, habituado às excursões

dos Pirineus e dos Alpes suiços, possuidor de vários utensílios de

alpinismo-esse foi o mentor da excursão; o então estudante de medicina

Forjaz de Lacerda, hoje distinto médico, e o então empregado aduaneiro

Arbués Moreira, cujo destino ignoro-todos continentais como eu,

alistaram-se na temerária excursão. Também um faialense nos acompanhou :

era um forte rapaz chamado Miguel António da Silveira. Ao todo eramos 5.
Orientados pelo «alpinista» Augusto Osório, improvisamos barracas de

campanha e bengalas apropriadas àquele exercício desportivo. Contratamos

guias e portadores de víveres.....e de archotes para a caminhada nocturna.

O estudante de medicina Forjaz de Lacerda carregou um homem de instrumentos

de observação científica para satisfação das curiosidades do seu espírito

gentilíssimo e investigador.
No dia aprazado partimos do Faial para o Pico.Pernoitamos num Hotel da

Madalena e na madrugada seguinte, acompanhados dos guias e portadores,

partimos a cavalo em demanda do Pico Alto.
Cavalgamos horas-muitas horas-com os necessários descansos para as

refeições. Além das chamadas Criações, nem os cavalos podiam passar.

Entregamos as alimárias aos seus arrieiros e continuamos nós, a pé, a

temerária caminhada.
Caminhavamos pela vertente ocidental do Pico. A meia tarde acampamos para

almoçar. Tinhamos o nosso acampamento voltado para a ilha do Faial; e o

panorama que já dali podiamos observar era quaquer coisa de majestoso.Já a

ilha do Faial se desenhava inteira no meio das águas; para a esquerda o mar

alongava-se imensamente até se perder na orla pardacenta do horizonte

longínquo; para a direita acabava logo ali perto o mar, fechado pelas

costas da ilha de S. Jorge, ainda iluminada de sol.
Diante de nós estendia-se a serra percorrida, alongando-se em semi-círculo,

e como que por ironia dava-nos a impressão de plana, regular-e nós

dolorosamente sabiamos que o não era-como um tapete estendido ao sol, que

ia mergulhar as pontas rendilhadas no mar adormecido, que logo adiante

despertava para se espreguiçar indolentemente na praia da cidade da Horta.

E esta parecia então ainda mais pequenina, muito baixos os seus relevos,

dando a impressão de uma concha azul invertida sôbre o mar."

Por hoje basta.Uma boa semana  

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publicado por viajantenocanal às 21:58
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Sobre o Pico

Boas Noites,

Continuando  o tema anterior :

" Muito próxima da ilha do Faial, tão pequenina e graciosa, ergue-se a ilha do Pico, com a majestade de um pai austero protegendo constantemente a filha, numa vigilância secular.Não exprimiria a minha impressão, se o o classificasse como uma «sentinela morta»; é antes um pai, ao mesmo tempo  carinhoso e severo, levando à filha o seu derradeiro beijo de cada dia nos reflexos violáceos do sol poente. Os poentes do sol dão, com efeito, ao Faial um encanto, em que a nossa alma se recolhe maravilhada.A luz toma então uma doçura infinita, luz como aquela, também violácea, que me foi dado contemplar um dia num poente de Atenas, escorrendo suavemente do Licabeto e do Pentélico.

As nuvens passa-lhe em rendilhadas formas muito abaixo do «pico alto»«; este era límpido e descoberto, como uma prece nos céus, ora com o seu capacete gelado, onde o sol e o luar põem reverberos metálicos.

Continuando o mesmo simbolismo litúrgico o Dr. Manso diz também:

«a neve eterna a colorir-lhe o cume, tal como um capêlo de teologia descendo em veludo, lantejoulado de prata pelo sol, sôbre a dalmática clorofilada de um sacerdote celebrando um Te-Deum.»

Entremos na ilha do Pico.Encontraremos quase todas as povoações à beira mar e a população essencialmente consagrada à vida marítima.Ingrata a cultura dos campos raros, os homens-mocidades bronzeadas e possantes,-preferem dedicar-se à vida do mar com todos os seus sacrifícios, com todos os seus heroísmos.A caça da baleia é uma das suas ocupações favoritas. o que lhes dá um notável comércio de óleos.Atravessando as suas freguesias sente-se uma desolação.Adivinha-se o árduo labor daquela boa gente na luta com a própria natureza, o que dá aquele espírito de tenacidade e sacrifício que a caracteriza.Pedras. muitas pedras, montes de pedras-alguns gigantescos, a que eles chamam maroiços-tornam a ilha áspera, rude e desolada.Há regiões em que para um e para outro lado da estrada em longa extensão se não avista senão pedra negra, musgosa à superfície, o que lhe dá uma ligeira ondulação que semelha um mar de sargaços.São os chamados mistérios

Tem povoações de certo desenvolvimento, como por exemplo o Cais;Lages;a Calheta; a Madalena; mas àparte uns pequeninos recantos floridos, como S. Miguel Arcanjo, a desolação agreste persiste sempre.Mas o que na ilha domina é a imponência do Pico.Quem lograr subir àquele monte, avistará o mais largo e mais surpreendente panorama do arquipélago."

Por hoje chega.Segue-se a narrativa da subida.Boas noites e bom fim de semana.

sinto-me:
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publicado por viajantenocanal às 22:25
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

Sobre o Pico

Viva, estou de volta.

Há dias em que não se pode sair de casa.Mas outros há em que a sorte nos

bafeja.Ontem resolvi passar por um alfarrobista do Porto, que visito

regularmente à procura de livros sobre a 1 ª Grande Guerra, tema que

me fascina, em especial pelo facto de o meu avô paterno, a exemplo dos avós

de José Rodrigues dos Santos ( vidé o livro " A Filha do Capitão " ) ter

estado envolvido na Batalha de La Lys, em 9 de Abril de 1918 , e cujos

passos procuro descobrir juntamente com um primo que vive em França e que

não tem deixado que a memória desses portugueses se desvaneça com o

tempo.Bem hajas Afonso!
Num blogue de um lisboeta, neto de um oficial médico, que o meu primo me

referenciou, vim a descobrir fotos muito antigas, de 1914, do Faial e do 

meu " Pico".

Nesse alfarrobista procurei escritos antigos sobre os Açores, em

especial sobre o Pico. E os deuses estavam comigo!Farta documentação

encontrei ( e comprei!), e que comecei hoje a ler.Desde revistas da

Ilustração Portuguesa a publicações de autores vários, muito tenho que

saborear!Destaco uma colecção de 3 volumes da " História das Quatro Ilhas

Que Formam o Distrito da Horta ", de António Lourenço da Silveira Macedo,

reimpressão Fac-similada da edição de 1871, publicada pela Secretaria

Regional da Educação e Cultura em 1981, com carimbos de um organismo

público da Terceira.Como vieram parar a um alfarrobista do Porto?!
Mas o que prendeu para já a minha atenção foi um artigo publicado na

revista GIL Vicente, nº 7,8,9 e 10, de 1939, da autoria de Agnelo

Casimiro.Relativamente ao Pico e com a devida vénia, passo a citar:

" Pico, antiga ilha de S. Deniz,é a mais próxima do Faial.Quando navegamos

no mar do grupo central dos Açores, é a ilha do Pico que avulta aos nossos

olhos, quer pela grandiosidade da sua extensão, quer pela majestade da sua

altura.Em extensão é a segunda do Arquipélago.Em altura, o Pico, que dá o

nome à ilha, atinge mais de 2 000 metros, sendo assim o cume mais elevado

de Portugal inteiro.
Tem pois um aspecto imponente e austero.Vista do mar a ilha do Pico

apresenta alguns pedaços de terreno cultivado e verdejante;Mas na sua maior

parte dá-nos a impressão duma ilha pedregosa, rude,onde a vinha rebenta por

entre as pedras.
Se o Faial dá o pão,o Pico dá o vinho.E acode-me à lembrança o simbolismo

litúrgico com que o Dr. Joaquim Manso o descreveu por estas palavras

textuais:

«Produz a abundância capitosa do vinho, ao passo que as outras produzem o

trigo.Este para a hóstia, aquele para o cálice, ambos para a missa da mesma

fé antiga dos mareantes do século XV.»"

Por hoje fico por aqui.Voltarei com com a continuação da narrativa, em

especial com a subida ao "Pico Grande" e ao "Pico Pequeno", que o autor

efectuou em Julho de 1907, quando tinha 27 anos.
Boa Noite 

  

música: Tem alguém aí?, de Gabriel o Pensador
sinto-me:
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publicado por viajantenocanal às 23:05
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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

O Pico e a TAP

Como vem sendo hábito, a dita transportadora " nacional" volta a esquecer o Pico nos voos extras de Lisboa ( e do Porto?).Recebi hoje o Ilha Maior e não posso deixar de estar solidário com o Daniel Rosa e estar de acordo com a Emília Ferro.E já repararam que nos " obrigam " a entrar e sair pela Horta, pois os voos de ligação de e para a Terceira e Ponta Delgada ou não existem no próprio dia ou obrigam a longas esperas?Já tive de pernoitar em Ponta Delgada  numa das minhas viagens e noutra esperei 7 horas para ligação para o Porto!Até quando? Valha-nos ao menos o viajar no canal,com o Pico a encher-me os olhos e o coração!Por isso até lhes perdoo o mal que me fazem!
publicado por viajantenocanal às 23:52
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Domingo, 3 de Dezembro de 2006

A caminho do Pico

A imagem de fundo foi escolhida porque faz-me lembrar a viagem que faço da Horta para a Madalena, sempre que vou ao Pico.E que me aperta o coração, à medida que me aproximo do cais.É sempre um momento de  grande emoção para mim!  
música: Nenhuma
sinto-me:
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publicado por viajantenocanal às 22:08
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Saudação Inicial

Sou novo nestas andanças.Mas algum dia tinha que ser!
sinto-me:
música: Kind of love-Fred MercurY
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publicado por viajantenocanal às 00:37
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